Vacinas provocam euforia, mas dados indicam 2021 tão difícil quanto 2020

13 Dez

Vacinas provocam euforia, mas dados indicam 2021 tão difícil quanto 2020

Há finalmente luz no final do túnel. Mas o que governos e especialistas estão descobrindo é que o túnel é mais longo do que se imaginava e mais escuro que se desejava.

Enquanto o mundo espera ansiosamente para virar a página de um ano terrível, agentes humanitários e autoridades alertam que 2020 tem tudo para não terminar no dia 31 de dezembro, e que sociedades terão de mostrar resiliência.

A descoberta que vacinas funcionam injetou um otimismo real pela primeira vez desde o começo da crise. A aérea Lufthansa, por exemplo, indicou que o número de reservas para o verão europeu de 2021 triplicou desde o anúncio da imunização. Bolsas subiram, o dólar caiu e políticos choraram ao vivo na TV.

Mas, na OMS (Organização Mundial da Saúde), a ordem é de martelar ao mundo que a pandemia está longe de terminar, e insistir que governos não podem abandonar medidas de controle, sob o risco de viver um acúmulo ainda maior de mortes.

Os dados revelam que o vírus não perde força, com 4 milhões de novos casos por semana desde novembro. Em meados do ano, o mundo precisava de dez dias para somar 1 milhão de novos infectados. Hoje, a velocidade da transmissão é, portanto, mais de quatro vezes superior.

Cientistas na OMS revelam ao UOL a avaliação de que o vírus ainda tem um "amplo espaço" na população mundial para circular em 2021. Hoje, quase 90% das pessoas continuam vulneráveis ao vírus, o que revela a dimensão dos riscos.

E, com as festas de final de ano, o temor é de que 2021 comece com um novo avanço da doença. "A celebração muito rapidamente pode se transformar em tristeza", advertiu Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.